Jucelino Sousa

Diário Virtual

A crise se agrava …

A conjuntura econômica mundial continua deteriorando-se dia após dia, cada momento é uma surpresa, parece um pesadelo que não tem mais fim. No momento que estou escrevendo este post a Bovespa está caíndo 10 % atingindo 45.000 pontos, ou seja, há pouco meses atrás este índice era de 70 mil pontos, uma queda vertiginosa de mais de 35 %, e parece que ainda não chegamos ao fundo do poço.

Apesar da tentativa de aprovação do pacote de ajuda às instituições financeiras pelo Governo Americano, o mercado continua nervoso e apreensivo. A semana começou com os primeiros sinais de contágio aos Bancos Europeus, várias instituições do Reino Unido, Alemanha, Belgica e Holanda tiveram que ser nacionalizadas ou socorridas pelo Banco Central Europeu para não terem o mesmo destino dos Bancos Americanos, a falência. O Banco Central Europeu continua injetando dinheiro na economia para que haja liquidez no mercado e para que as linhas de crédito não sejam cortadas, o que agravaria mais ainda a situação, com efeitos imediatos na economia real.

O corte das linhas de crédito é a principal ameaça de contágio para o Brasil, a insuficiência de recursos (para não falar em inexistência dos mesmos), para que a economia continue crescendo, será o grande problema a ser enfrentado pelo Governo Lula este ano e em 2009. Apesar das bravatas presidenciais, não há nenhum indício que o BNDES conseguirá suprir a necessidade de recursos da economia. Os financiamentos de automóveis e outros bens de consumo com prazos a perder de vista e com taxas subsidiadas estão com os dias contados, o prazo será menor e a taxa de juros cada vez maior.

Outro problema a ser enfrentado pelo Governo será a dificuldade de atingimento do superavit primário nesse novo cenário. A queda do preço das commodities em função da recessão mundial certamente trará problemas para manutenção do saldo positivo e crescente da nossa balança comercial.

Participei hoje a tarde de um conference call com Marcelo Salomon, Economista-chefe do Unibanco. A sua visão é de bastante preocupação. Ele acha que o país está bem preparado, que a percepção dos investidores externos sobre o país é extremamente positiva, que todos reconhecem que fizemos o dever de casa e que tão logo a poeira baixe as linhas de crédito serão novamente disponibilizadas para o país. O problema, diz Marcelo, é que neste momento é impossível prevêr quanto tempo levará para que a poeira baixe por completo. O tempo para que as coisas se normalizem dependerá basicamente de três fatores :

  1. A velocidade de ação dos Bancos Centrais : O FED tem agido rápido mas o Banco Central Europeu tem se mostrado muito lento e até certo ponto descrente que o problema na Europa seja tão grave quanto aparenta.
  2. O tempo que os bancos sobreviventes irão levar para se recapitalizar.
  3. O comportamento das empresas e dos consumidores americanos. Se houver uma retração forte de consumo e de investimentos, ou uma crise maior de inadimplência no mercado americano (os mutuários param de pagar as hipotecas, por exemplo), o tempo de recuperação será muito maior.

Apesar do cenário nebuloso, acredita-se que o Brasil poderá com tudo isso crescer 3 % em 2009, e, se o Governo fizer o dever de casa bem feito (cortar gastos, incentivar a poupança interna, reduzir os juros gradativamente ao longo de 2009), podemos chegar em 2010 em melhor posição no cenário mundial do que temos hoje em dia, transformando-se num dos principais portos seguros para o dinheiro do investidor mundial.

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Espírito de equipe

Num jogo memorável, o ex-melhor jogador de basquete, Michael Jordan, fez 67 cestas numa só partida. Naquele mesmo jogo, um iniciante marcou apenas uma cesta. Ao final, perguntado sobre sua visão do jogo, o novato disse que lembraria para sempre do jogo em que ele e Jordan, juntos, marcaram 68 pontos.

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