Bandeira Branca – vale a pena ?
O texto da reportagem, que reproduzo abaixo, do Diário do Nordeste do dia 18/07, é um bom exemplo das desvantagens em ser Bandeira Branca. Além da insegurança quanto ao suprimento, o Bandeira Branca sofre quanto a falta de garantia de qualidade, ausência de uma marca familiar ao consumidor, falta de atualização quanto às práticas de varejo mais modernas, dificuldade de estabelecer parcerias comerciais com grandes empresas e exposição solitária às crescentes e rigorosas exigências ambientais. Será que o leilão de preços que esses postos são habituados a fazer, compensam de fato tudo isso ?
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Revendedores de combustíveis bandeira branca — que não adotam uma marca específica de alguma distribuidora — da Capital e do Interior estão reclamando da falta de gasolina e de óleo diesel no mercado cearense. Além do atraso na entrega, alguns donos de postos dizem que não estão conseguindo os combustíveis em quantidade suficiente para regularizar os estoques.
Proprietário de dois postos bandeiras brancas na Capital e dois no Interior, o empresário Manuel Novais disse que os tanques de um dos postos, em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza, secaram novamente ontem, por falta de combustíveis. ´Em Sobral, dez postos, incluindo o meu, ficaram sem combustível no sábado, dia 13´, relatou Novais.
O dono do posto Oceano, Raimundo Alves, também sem bandeira definida, na avenida Francisco Sá, em Fortaleza, reclamou que ficou o sábado inteiro sem gasolina aditivada, e sem diesel na segunda-feira. ´Não sei o que está acontecendo. Vou começar a fazer pedidos antecipados para garantir estoque´, disse Alves, informando que somente ontem o abastecimento voltou à normalidade no seu estabelecimento.
Segundo Novais, o problema na distribuição só está ocorrendo com os postos bandeira branca, que não têm contratos de abastecimento com nenhuma distribuidora. De acordo com ele, ´elas [distribuidoras] estão priorizando os clientes que têm contrato e deixando de lado quem não tem´. Para ele, ´isso não deveria acontecer, porque tanto os bandeirados, quanto nós somos regulados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) da mesma forma´.
Novais lembra que a bandeira branca foi criada como forma de evitar o oligopólio das distribuidoras e regular o mercado. O presidente do Sindipostos, José Carlos de Oliveira, ratifica que o problema só está acontecendo com os postos desse segmento.
O chefe do setor operacional da Alvo Distribuidora — subsidiária da Petrobras que está no controle da Ypiranga nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste — no Ceará, Gustavo Vasconcelos, confirma que problemas de distribuição existem por atrasos nos navios. Ele também corrobora que as empresas estão priorizando os postos com os quais mantêm contrato e os cativos, em detrimento dos demais. ´Na hora em que há combustível sobrando, fazem leilão. Agora, reclamam´.

julho 22nd, 2008 às 12:36
Mas é o óbvio! Nesses dias em que o mercado de combustivel está em crise devido a restrição de produto e determinadas regioes, lógico que as redes vao priorizar seus clientes fidelizados, no caso, os bandeirados!
Mas como diz o ditado.. “neguinho só olha pro próprio umbigo”.
julho 23rd, 2008 às 21:45
Todo mercado em processo de evolução passa por altos e baixos, assim neste periodo de escassez temos os postos bandeira branca sem produtos. Porem quando o mercado se normaliza e as distribuidoras necessitam cunprir volumes, o inverso ocorre, e essas passam então a oferecer produtos com preços bem abaixo do que é praticado com os embandeirados, fomentando um desequilibrio de mercado , com tendencia a guerra de preço. Daí a pertinencia da questão levantada, o que será melhor?
julho 24th, 2008 às 0:08
Também não concordo com essas promoções, porém não são essas as únicas causadoras das guerras de preço, vários postos embandeirados fomentam as guerras e em algumas situações as mesmas são sustentadas por produtos adulterados ou com forte sonegação (álcool)
julho 24th, 2008 às 7:43
Realmente o assunto bandeira branca é polêmico, com pontos positivos e negativos, porem olhando pela otica do consumidor sempre fui contra, se o posto esta com 50% do estoque nos tanques e faz uma nova compra em outra distribuidora que produto o cliente esta abasteçendo”? será que o consumidor não está levando gato por lebre ?.
julho 24th, 2008 às 19:08
Prezado Jucelino…
O que vc tem a dizer sobre a concorrência predatória que vemos hoje em Bhz? Como é possível um “empresário” adquirir o combustível da sua distribuidora por R$ 2,09 e vendê-lo no varejo por R$ 2,19? Como arcar com os ônus do pagamento da folha, encargos sociais e trabalhistas, energia, telefone, contador, tarifas ambientais e manutenção de equipamentos? Com sua experiência, como fazer (Minaspetro, etc) para conter tal fato, uma vez que BH é a única cidade do mundo que existe cartel prá baixo? Um grande abraço, do José Eustáquio Elias, revendedor de Mariana-MG, Posto Elias& Guimarães.
julho 24th, 2008 às 20:28
Elias, é um prazer recebe-lo em meu blog ! Seja bem vindo. Sou defensor da livre concorrência e de que o mercado regule os preços, é assim em todos os lugares do mundo. Porém existe um limite para isso que é a razão maior de toda atividade econômica, o lucro. Os preços devem flutuar e variar, isso é normal, porém sempre dentro de uma faixa onde a rentabilidade do negócio e a sobrevivência do empreendimento não sejam afetados. Infelizmente não é o que acontece em BH … A concorrência aqui é irracional, é suicida, isso não existe em lugar algum do Brasil … Não sei como começou isso e não sei qual é a solução … dar mais informações ao consumidor, combater a sonegação e a adulteração e oferecer mais serviços aos consumidores ao invés de preços baixos são algumas alternativas, porém com impacto limitado além de não evitarem que muitos postos fechem e que muitos empregos sejam eliminados.
Todos os custos mencionados por você são importantes e parecem não serem considerados por muitos revendedores, porém o maior custo na minha opinião, e que nunca ouvi comentários, é o custo do capital empregado. Qual o valor de um posto ? do terreno , das edificações, do capital de giro empregado ? quanto todo esse recurso renderia se estivesse numa aplicação financeira ? como pode alguém operar seu negócio buscando uma rentabilidade sobre o capital empregado que é inferior ao custo de oportunidade do capital ? desculpe-me mas com toda minha experiência não sei explicar essa charada … vi uma palestra do Minaspetro no evento de Araxá sobre a gestão de preços e lucratividade, acho que esse é o caminho, informar e concientizar.
julho 25th, 2008 às 12:21
Jucelino…
Um prazer interagir com tão distinta pessoa.
Você ( em companhia do presidente Marcelo – diga-se de passagem uma pessoa impar no setor, que foi presenteado com um quadro por mim ) esteve nos meus postos.
Me esqueci realmente do fator “custo financeiro”, num pais onde se pratica taxas de juros estratosféricas.
Não nego que estamos sufocados por tantos e tantos impostos, além de “sócios” nos nossos negócios.
Bancos, assaltantes, legislação confusa.
Que tolhe nossos desejos de modernização em programas e máquinas, assim como treinamento com vistas a melhorar o atendimento e venda.
Sinceramente, a equação vigente em BH não bate.
Por mais que se faça contas, fica impossível administrar um posto com margem de venda tão pequena.
Temo pelo futuro da revenda.
Estamos a 110 km de BH e sentimos na pele o “estrago” dessa concorrência predatória.
Até aqui no interior, uma vez que ninguém em sã consciência deixaria de abastecer, por exemplo, R$ 20,00 aqui e completar na saída de BH.
Sugeriria uma ação via distribuidoras, uma vez que a AleSat faz parte das maiores empresas do setor do Brasil.
E , se não me falha a memória, os postos filiados ao SIDICOM ( especialmente os situados na Via Expressa) é que estão praticando essa conduta, no mínimo, estranha.
Mas reafirmo que foi um prazer trocar essa palinha com você.
Vindo a Mariana, será um prazer(como se fala no interior) trocar um dedo de prosa.
Abs
Elias
ps… Seu blog está muito interessante.
Já sugeri a leitura a vários amigos e desde ontem já figura entre os meus favotitos.
julho 15th, 2009 às 9:12
Amigos,sabemos de todos os problemas enfretados pelo revendedor de bandeira branca,Mas na opinião de vocês qual seria a melhor saida para acabar de uma vez por todas com essa guerra, descriminação contra os postos de bandeira branca. E qual seria a melhor maneira para ganhar aconfiança dos consumidores.