Empresas são mecanismos para maximizar ganhos (ou seja :ganhar mais do que se gasta, e ganhar o mais possível).
Transcrevo abaixo um excelente artigo do Clemente Nóbrega que me foi enviado por Vladimir. Infelizmente alguns revendedores esquecem disso quando entram de forma suicida em guerras de preço, vale a pena a reflexão. É papel da Distribuidora preocupar-se com a saúde financeira dos seus clientes, a estratégia de preços e a postura de cada revendedor frente ao mercado é uma das causa mais frequentes de descapitalização e de insolvência, daí decorre nossa preocupação com o assunto.
Empresas existem porque acumular riqueza é uma motivação instintiva do animal humano. Num linguajar mais polido: empresas existem porque essa foi a melhor forma que se descobriu para capturar valor econômico em larga escala. Num linguajar menos polido: trata-se no fundo de dinheiro mesmo. [O mundo das organizações sem fins lucrativos-ONGs etc-é sobre gerar valor social, não econômico, mas os princípios da ciência da gestão valem aqui também. Ver adiante].
Gerar valor para outros e capturar de volta uma parte desse valor (um excesso) para si, é que movimenta o mundo empresarial. Quem é pequeno quer primeiro sobreviver e depois crescer (ganhar mais). Quem é grande quer, no mínimo, garantir que vai continuar ganhando o mesmo amanhã (tecnicamente: quer garantir que vai manter suas margens).
Tudo nesse mundo é centrado na necessidade de garantir a riqueza dos acionistas. Você só será bom gestor se for capaz de contribuir para essa riqueza. Isso é o equivalente à “saúde do paciente” para o médico.
Acionista é quem,correndo risco, garante os recursos para que a empresa possa operar: o dono, os investidores, a família que controla, a sociedades (no caso de empresas estatais).
Comerciar -(transacionar=to trade=comprar e vender) – é um instinto humano. Um instinto de animal, quase tão forte, talvez, quanto o sexual(???!!!).
O estado, a lei, a justiça, a política.. vieram depois do comércio, e surgiram por influência dele, em larga medida, para regular transações comerciais.
O ser humano é um animal econômico. Peter Bernstein autor de “Against the Gods” diz:
Colombo não estava num cruzeiro pelo Pacífico quando descobriu a América, estava em busca de uma nova rota de comércio para as Índias. A perspectiva de ficar rico é altamente motivadora, e pouca gente enriquece sem fazer uma aposta no futuro [correr algum risco] [...] Comércio é um processo mutuamente benéfico – depois de uma transação comercial ambas as partes se consideram mais ricas do que eram antes. Que idéia radical! Até esse ponto na História, as pessoas que ficavam ricas, ou exploravam outras ou tomavam a riqueza delas. Apesar de os europeus continuarem a saquear pelos oceanos afora, em casa, a acumulação de riqueza era uma possibilidade para muitos, não para poucos. Os novos ricos agora eram os inteligentes, os aventureiros, os inovadores – a maioria dos quais era homens de negócios – não príncipes herdeiros [...].
Ficar mais rico, não esqueça, é motivação mais que mobilizadora para o animal humano. A história do aumento da riqueza no mundo é história de formas novas de se gerar valor. Há dez mil anos quando a agricultura começou essa riqueza era zero, hoje são vários quatrilhões de dólares (14?,15?..). De onde veio essa riqueza?
Da capacidade humana de rearranjar processos, materiais, idéias -via tecnologias- fazendo,com isso, aparecer valor novo.
Como as fontes de geração de valor tendem inexoravelmente a se deteriorar com o tempo os gestores vivem sob pressão.
A maneira certa de estudar e praticar gestão é baseá-la numa ciência que identifique as forças que produzem a criação e a diminuição de valor. Saber lidar com essas forças é que define sucesso ou fracasso do gestor ( e não trabalhar duro, esforçar-se, ser sério…).
Gestão é resultado, não esforço.
