Jucelino Sousa

Diário Virtual

Max Gheringer

Não sou muito fã, na verdade tenho até uma certa antipatia, não sei se é o tom da sua voz ou sua empáfia, só sei que não presto muito atenção aos seus comentários na CBN ou na Globo.

Apesar da pouca afinidade, comprei um livro dele chamado Clássicos do Mundo Corporativo, trata-se de um livro pequeno, de apenas 170 páginas, com a transcrição de vários artigos do autor. Trata-se de uma leitura rápida e agradável, em pouco menos de 30 minutos devorei o livro inteiro. Muitos artigos são engraçados e pertinentes, recomendo a leitura, dois em especial me chamaram a atenção pelo fato de coincidirem bastante com o que penso sobre os assuntos, vamos a eles :

“Não é novidade para ninguém que as empresas precisam ser ágeis. Atualizadas. Espertas. Ligadas. Existe porém um tipo de empresa muito interessante. Aquela que é rápida no discurso, mas devagar na ação. Normalmente, quem trabalha em uma empresa assim quase não percebe que ela está andando para trás. Porque parece que vai indo para a frente a todo o vapor.

Trabalhei em uma empresa desse tipo. Não por coincidência, alguns anos depois, ela quebrou. Para surpresa dos clientes, dos fornecedores e, principalmente, dos funcionários. Então, aqui vão alguns sinais de que a empresa está devagar, mas não parece.

  • Primeiro Sinal : Tudo tem desculpa. Se um projeto não dá certo, ou se um resultadonão é atingido, a culpa é sempre da concorrência, que sonega. Ou da legislação, que é antiquada. Ou da economia que é imprevisível. Ou da globalização. Ou de um terremoto nas Ilhas Galápagos.
  • Segundo Sinal : Tudo é desproporcional. A punição é desproporcional ao erro. A comemoração é desproporcional ao resultado.
  • Terceiro Sinal : Fala-se muito em novos projetos, mas poucos projetos são de fatos implantados. Normalmente, novos projetos vão sendo adiados com base em uma frase sem muita consistência : agora não é o momento.
  • Quarto Sinal : Novas idéias são incentivadas e aplaudidas. Mas são rapidamente engavetadas ou esquecidas.
  • Quinto Sinal : Fala-se muito em futuro, mas boas histórias são sempre as mesmas e de um passado já distante.
  • Sexto Sinal : Os objetivos são muito agressivos. Mas a agressividade fica só no papel. Depois na vida prática, tudo volta ao primeiro sinal, o das desculpas. E o ciclo recomeça.

Mesmo assim, a direção da empresa continua parecendo motivada e empolgada. O motivo é simples : em terra de perdedores, quem empata se sente rei.”

vamos a outra, para mim a melhor de todas :

“Em empresas existem três tipos de funcionários. O bom, o ruim e o bonzinho.

Dia mais, dia menos, o ruim vai para fora e o bom vai para cima. Mas o bonzinho continua sempre no mesmo lugar.

Apesar dele ser simpático e competente, de ser apreciado pela chefia, de ser estimado pelos companheiros, a carreira do bonzinho não deslancha. E ele não consegue entender onde está o erro. A questão é que o bonzinho não tem aquilo que as empresas chamam de - o perfil. Ele não é agressivo. Não mostra espírito de liderança. Não faz a diferença.

Para quem tem dúvida se é bom ou bonzinho, eis as cinco características do bonzinho :

  1. O bonzinho é ouvinte. Em uma reunião, evita dar palpite. E está sempre fazendo aquele gesto de positivo com a cabeça.
  2. O bonzinho concorda com tudo. Principalmente com aquilo que não concorda. Sempre acha que é melhor não arrumar confusão e conversar depois, com mais calma.
  3. O bonzinho não desafia ninguém. Não gosta de discórdia. Para ele, o empate é ótimo resultado.
  4. O bonzinho jamais desabafa. Mesmo quando está um arara, continua com aquela expressão de manequim de loja de shopping.
  5. O bonzinho detesta aparecer. Se surgir uma daquelas raras oportunidades de matar um dragão e virar herói da empresa, o bonzinho prefere sentar e ficar esperando o dragão morrer de velho.

O bonzinho não faz intriga, não puxa o tapete de ninguém, e está sempre disposto a ajudar quem precisa de ajuda. Por isso mesmo, chefes e colegas preferem que ele continue onde está, contribuindo positivamente para o ambiente de trabalho. O bonzinho está sendo vítima do egoísmo geral e todo mundo lhe daria razão se ele reclamasse. Ele só não reclama porque é bonzinho.

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