PROER para gringo vêr.
Semana difícil essa que passou … Há tempos não se via tamanha tensão no mercado financeiro, lá fora e aqui. Apesar da economia brasileira estar muito mais preparada hoje de que no passado para resistir a choques externos,não dá para acreditar que não seremos de alguma forma afetados. É esperada uma queda nos preços das comodities e um aperto no crédito, não há motivos para desespero, porém é extremamente salutar alguma cautela neste momento. A excassez de recursos exige seletividade nos investimentos e cuidados redobrados com a inadimplência.
O curioso disso tudo é vermos o Governo dos Estados Unidos reconhecer o problema e anunciar uma ajuda de 700 bilhões de dólares aos bancos americanos. Há pouco mais de 10 anos atrás, em 1995, quando o Brasil lançou o Proer após vários bancos grandes quebrarem (Nacional , Econômico e Bamerindus), o Governo foi duramente criticado por usar dinheiro do contribuinte para salvar banqueiros da falência. Seguem palavras de José Baía Sobrinho, presidente do Banco Pontual :
“No Brasil, entre 1995 e 1997, o preço do ajuste alcançou 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), isso já incluindo o caso recente do Bamerindus. É um valor bem abaixo do que se registrou em vizinhos nossos sul-americanos ou mesmo em países desenvolvidos. No Chile, por exemplo, o custo foi de 19,6% do PIB em 1985. Na Argentina, em 1982, de 13%. Para sairmos da América Latina, basta ver os números em países como aNoruega ou os Estados Unidos. No primeiro, entre 1988 e 1992, gastou-se 4,5% da riqueza nacional. Nos EUA, o buraco, em 1991, chegou a 5,3% do PIB. Essas nações não dispunham de instrumentos similares ao Proer, que é uma invenção nossa, muito bem elaborada, barata e que vem dando certo.”
O nosso PROER custou pouco mais de 30 bilhões de dólares, hoje temos bancos fortes e saneados, nada como uma dia após o outro …
